Patrimônio Histórico e Urbânidade em Rio Grande:

A cidade do Rio Grande por sua tradição histórica e por sua importância dentro do cenário ecônomico do Brasil sul meridional sempre foi uma região de confluência de interesses dos mais diversos povos e de tendências políticas ou ecônomicas. no decorrer destes ultimos duzentos e setenta e três anos a cidade se desenvolveu apesar de todas as dificuldades que enfrentou: problemas com imigração, conflito de fronteiras, dificuldades com a natureza, invasões espanholas e crises ecônomicas. superados esses problemas com muito sangue, suor e lágrimas, foi notável o desenvolvimento desta cidade, pois, muito fácil é observar o crescimento que se consubstanciou na forma de nossos prédios históricos e realizações culturais, entre elas podemos citar: a primeira biblioteca do RS, Câmara de Vereadores, industria textil, linha de bondes regular e refinaria de petróleo do país, entre outras.

Fica estabelecido que é na observação e valorização do nosso rico passado e nas nossas construções históricas que estão as soluções para os problemas de nossa cidade. Hoje nas grandes capitais da Europa o turismo histórico é uma realidade, pense nisso e vamos mudar a conjuntura....


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

NOSSA MEMÓRIA AMEAÇADA PELO DESCASO!

Muito se tem falado em nossa cidade sobre desenvolvimento e a entrada de novas empresas e capitais na Noiva do Mar, esses novos eventos tem gerado um clima de euforia e uma perspectiva de mudança para melhor no quadro ecônomico da região sul do Estado, principalmente em Rio Grande. Nesse ínterin estamos vivendo neste mês a Fearg/Fecis, onde as potêncialidades de nossos artesãos e industriais são mostradas para um público que a cada ano que passa torna mais impactante os efeitos positivos de um evento tão significativo como a Fearg/Fecis, mas como a intenção desde blog sempre foi a de concientizar sobre a importância da preservação do patrimônio histórico e alertar sobre as prováveis ações e más intensões que levem a degradação desse mesmo patrimônio, não pude deixar de notar ao visitar o local da feira o lastimável estado de conservação apresentado pela locomotiva localizada no Centro de Eventos administrado pela prefeitura municipal, um equipamento que deveria servir de exemplo para todas as gerações sobre a importância das ferrovias para nossa cidade está esquecido e em avançado estado de degradação, apresentando rupturas em sua estrutura, provocadas pela ferrugem, inclusive servindo como depósito de lixo, onde latas de tinta e outros objetos são depositados, podendo inclusive provocar acidentes graves as crianças que ali circulam, e que brincam aprendendo a dar seus primeiros passos no sentido de conhecer o nosso tão glorioso passado. Não podemos aceitar de forma alguma o descaso do poder público com aqueles equipamentos visto que o patrimônio público precisa ser conservado e tratado de uma maneira mais digna, dentro da perspectiva que são documentos vivos da nossa história e servem como evidência e testemunho para as futuras gerações sobre o trabalho de fundamental importância realizado pela rede ferroviária em Rio Grande!Uma atitude urgente precisa ser tomada quanto ao resgate do nosso já tão escasso e dilapidado patrimônio ferroviário, devido ao risco eminente de num curto espaço de tempo não termos mais referência alguma sobre a grandiosidade de suas ações no sentido de desenvolver nossa sociedade. Não só a ferrovia, mas as gerações passadas merecem o resgate de sua memória.

HISTÓRIA DA FERROVIA NO BRASIL E EM RIO GRANDE:



No fim do século XVIII, houve diversas tentativas de se adaptar a recém-inventada máquina a vapor a um veículo sobre rodas, mas todas falharam devido ao estado das estradas. Em 1803, no entanto, o engenheiro inglês Richard Trevithick teve a idéia de colocar o veículo a vapor sobre trilhos, para que deslizasse mais suavemente. A idéia das "ferrovias". porém, não era nova. Carros sobre trilhos, puxados por cavalos, já estavam sendo usados na maior parte das grandes minas, na época. A primeira linha férrea - a linha da mina Stockton a Darlington - foi aberta em 1825. Tinha 16 quilômetros e foi construída por George Stephenson. Ele construiu também a primeira linha de passageiros (1830) e as máquinas para ela. Essa linha ia de Liverpool a Manchester.
No Brasil, a primeira ferrovia foi inaugurada em 1854. Era a Estrada de Ferro Mauá, com apenas 19,9 quilômetros de linha, entre a baía de Guanabara e Raiz da Serra, em direção a Petrópolis. Na cidade do Rio Grande as atividades ferroviárias iniciaram em 1884 e a linha que ligava a cidade ao balneario do Cassino foi inaugurada em 26 de janeiro de 1890. O transporte ferroviário em nossa cidade foi de extrema importância para o desenvolvimento de nossa econômia servindo de elo de ligação com as demais localidades do estado, através do transporte de passageiros e mercadorias que em muito contribuiram para crescimento e desenvolvimento, não só do nosso município, mas de todo o estado do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CASSINO DOS MESTRES:

O que consta sobre a finalidade da edificação daquela residência em 1911 é que, devido a necessidade da empresa num determinado processo da sua evolução de contratar mão de obra especializada, resolve projetar a construção de um "Cassino dos Mestres". O Cassino dos Mestres era um edifício que pretendia atender as funções de lazer e habitação para alguns mestres, principalmente os recém chegados da Europa. O projeto foi solicitado ao escritório de R.Ahrons, que em maio de 1911 concluiu esse trabalho. As plantas originais conferem a autoria dessa obra ao escritório de engenharia R.Ahrons, a maior empresa construtora de Porto Alegre. Responsável por obras significativas da arquitetura do Rio Grande do Sul e, especificamente, de Porto Alegre, a firma contava na sua fase mais produtiva, com o arquiteto Theo Wiedersphan, na chefia do departamento de arquitetura. Os terrenos onde foram construídos o Cassino dos Mestres, e mais tarde o Grupo Escolar e as demais casas para funcionários, foram adquiridos por permuta com a Intendência Municipal. O Cassino dos Mestres servia como ponto de encontro dos mestres da fábrica, com acomodações para reuniões, sala de leitura com biblioteca, bilhar, podendo inclusive servir refeições para os mestres solteiros, e foi sede da Sociedade de Mutualidade e da Biblioteca da fábrica Rheingantz.
Fonte: Rheingantz: Uma Vila Operária em Rio Grande de Viviam S. Paulitsh/2008.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ILHA DOS MARINHEIROS.

Recanto de Nossa Senhora de Lourdes!

Cidade do Rio Grande (industrialização e urbanidade (1873-1990).

Ao ler esta brilhante publicação de Solismar Fraga Martins, me retorna a idéia a obra do professor Fortunato Pimentel que na década de 40 do século passado publicou uma inestimável cartilha sobre os mais variados aspectos da sociedade riograndina, uma publicação valiosa ao trabalho e estudo de historiadores e curiosos sobre nossa comunidade em meados do século xx. O trabalho de Martins tem como característica uma análise do processo industrial em Rio Grande e presta-se como um complemento e atualização ao trabalho pioneiro de Pimentel, visto que o processo industrial teve vários desdobramentos desde os anos 40 e necessitava de uma nova abordagem a fim de identificar as características que o constituiu. Aborda aspectos da industrialização do final do século XIX, construção dos molhes da barra, expansão urbana e construção do super porto numa linguagem clara e de fácil assimilação, mesmo aos leigos que estejam interessados em um estudo deveras interessante. Recomendo esta obra a todos que como eu valorizam nossa cidade e suas potêncialidades e que em tudo envidam esforços no sentido de engrandecer tanto nosso presente como nosso passado glorioso. O futuro está por vir e será reflexo de um passado que em última análise será construído por todos nós, um povo sem passado e sem memória é um povo sem identidade e sem referencial que o leve a perceber se caminhamos em destino a uma evolução ou decadência....Acreditar é preciso, trabalhar mais ainda!


segunda-feira, 28 de junho de 2010

JORNADAS CULTURAIS:

A nota positiva do mês de junho na cidade do Rio Grande foi o evento realizado no dia 9 no Centro de Formação Escola Viva (Antiga Cadeia Municipal, agora restaurada) e promovido pelo Centro de Memória Bunge. Os participantes tiveram a oportunidade de assistir palestras e discussões envolvendo as questões de patrimônio cultural e memória social. Na parte da manhã o tema foi patrimônio e preservação da cultura local com o professor Fabio Vergara e a tarde aconteceu uma mesa redonda sobre questões pertinentes ao patrimônio.

DESTAQUE: Chamou a atenção de todos a organização impecável do evento, visto que a inscrição e documentos pertinentes no site, local, credenciamento, coffe break e acreditem...entrega de certificado de participação no final do evento, foram sem sombra de dúvida, todos eles, acima da média. Que sirva a todos o exemplo dado e que os próximos eventos desse tipo na cidade possam seguir a mesma linha e os mesmos critérios,principalmente em relação a entrega dos certificados, pois chama a atenção de forma negativa a demora na entrega dos mesmos em eventos realizados em nossa cidade.

CONCLUSÃO: O que de mais importante ficou no evento foi a necessidade de haver uma maior integração e troca de informações entre as instituições culturais que trabalham na área de patrimônio, a fim de uma maior contribuição no que se refere a conscientização popular quanto ao quesito patrimônio.....Parabéns aos promotores.

domingo, 30 de maio de 2010

Audiência Pública sobre edificações de interesse cultural:

JustificarNo último dia 28 foi realizada uma audiência pública na Câmara de Vereadores do Rio Grande, objetivando apresentar aos vereadores locais e a população em geral o substitutivo à lei 80/2007, que declara de interesse cultural as edificações que fazem parte do inventário de bens culturais imóveis da nossa cidade. Esta lei tem relacionadas 509 construções declaradas pela prefeitura municipal como de interesse sociocultural e dentro deste interín foram discutidos nesta audiência os aspectos positivos e negativos desta proposta de lei, a mesma por conter adendos polêmicos gerou grande controvérsia junto aos proprietários que estiveram presentes e que demonstraram inconformidade em relação as suas obrigações com os imóveis de sua propriedade. A impressão que ficou para estes é que existe um quadro muito mais punitivo que de suporte para os usuários dessas habitações e que a futura lei trará mais prejuizos do que isenções de impostos que viabilizem o processo de reconstrução e restauro dessas estruturas. Com toda certeza serão necessárias adaptações e discusões junto a comissão de constituição e justiça da câmara. Uma solução bastante proveitosa apresentada por um dos participantes seria a isenção do ISQN (imposto sobre serviços de qualquer natureza) cobrado pela Prefeitura municipal o que estimularia a ocupação e manutenção constante desses imóveis no sentido de evitar uma possível degradação futura. O obstáculo a essa proposta está na voracidade dos impostos cobrados pela administração pública no Brasil, visto que nas três esferas de poder, federal, estadual ou municipal,estes via de regra, não gostam de perder arrecadação, mesmo que esta perda momentânea venha futuramente, a médio e longo prazos, trazer um retorno financeiro interessante para os cofres públicos....preservar é preciso, trabalhar pela manutenção da nossa identidade....uma obrigação!