domingo, 16 de março de 2014
O GÓTICO COMO RESULTANTE DAS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS, SOCIAIS E RELIGIOSAS DE SUA ÉPOCA:
O
gótico, arte urbana sem deixar de ser religiosa, as referências
medievais sempre permaneceram ligadas ao sagrado, não era arte
exclusivamente eclesiástica. De fato as transformações
sócio-econômicas fizeram dos leigos consumidores de obras de arte,
que precisavam portanto se adequar a essa nova realidade. O
fundamental continuava a ser a arquitetura religiosa, mas as
catedrais góticas contavam, para serem erguidas com a indispensável
colaboração da burguesia local e da monarquia. Portanto atendiam a
necessidades espirituais e práticas diferentes da época anterior.
Como
observou Duby, “O universo deixa de ser um conjunto de sinais onde
o imaginário se perde, reveste-se de uma figura lógica que a
catedral tem por missão reconstituir situando no seu lugar todas as
criaturas visíveis” (49:121).
Expressão
de uma nova sociedade em formação, o gótico estava ligado a
cultura que se desenvolvia nas escolas urbanas, ao pensamento que
redescobrindo a obra de Aristóteles procurava harmonizar fé e
razão. Assim se concebia Deus como a luz (por isso o uso de vitrais)
e se valorizava o seu lado humano (em consequência o culto a
virgem). A natureza passava a ser vista como parte essencial da
criação. Por isso, procurava-se retratá-la com realismo, para
tanto recorrendo-se a observação (através dos sentidos) e a
compreensão (através do realismo) da natureza. Ora, tal postura
revelava tanto uma nova sensibilidade (cuja melhor expressão e São
Francisco) quanto uma nova preocupação intelectual, cuja melhor
expressão é a retomada de Aristóteles. Em suma, o gótico se
colocou exatamente nesse equilíbrio entre coisas tão diferentes
como as representadas pelo sacro e pelo filosófico.
Justamente
por isso não se pode, como já foi feito, reduzir o gótico a
simples materialização da teologia da época. Baltrusaitis mostrou
numa interessante obra, que a arte gótica incorporou monstros de
diferentes tipos e seres acéfalos e multicéfalos da antiguidade,
plantas zoomórficas e animais com corpos de partes trocadas
presentes no Islã, dragões e demônios com seios ou
tromba-de-elefante existentes no imaginário do extremo oriente.
Percebemos
com isso a permanente dualidade da Idade Média, que mesmo nas suas
buscas da realidade, escapa continuamente para regiões longínquas e
quiméricas e conserva até o fim a sua universalidade. Bem
entendido, se tais influências externas ocorreram, foi porque a
psicologia coletiva ocidental podia se conhecer naqueles elementos
provenientes de outras culturas.
Referências: Idade Média - Nascimento do Ocidente - Hilário Franco Junior.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
AVISO AOS LEITORES
Em 2012 publiquei neste blog uma matéria sobre as Oficinas Salesianas em Rio Grande, sugiro a quem interessar que leia a matéria publicada no ano passado para entender como surgiu a escola em nosso município e depois com esse subsidio leia a matéria que publiquei no dia de hoje sobre a ampliação da mesma.
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Notícias
Local:
Rio Grande - RS, Brasil
O NOVO PRÉDIO DO LICEU LEÃO XIII:
LICEU LEÃO XIII: O novo prédio.
A necessidade de novas instalações, ante a pobreza das existentes,
foi desde sempre sentida. Na visita que fez ao Leão XIII em 1926, o
inspetor Padre Domingos Cerrato, deixou escrito em ata: Tendo a
necessidade extrema de local e a licença que deu oralmente ao
diretor o Reverendíssimo Senhor Padre Vespignani, autorizei a
imediata construção de um edifício, cujo plano foi levado a Turim
pelo próprio visitador extraordinário.
Por
ocasião da sua visita a Rio Grande em 1931, o visitador
extraordinário Padre Pedro Tirone estimulou a construção de um
novo prédio para o colégio e as oficinas. O padre José Massimi
pediu-lhe plenos poderes para poder agir. Pôde assim presentear a
população rio-grandina com o edifício onde o Leão XIII cumpre
hoje sua missão agora mais que centenária.
Ao
fazer em 1933 a visita canônica ao Leão XIII (26 de setembro a 1°
de outubro de 1933), o Padre André Dell'Oca, na ocasião inspetor,
havia escrito na ata: “O aspecto material da casa e das escolas
está em grande decadência, havendo entretanto entendimentos com a
Prefeitura para a construção de um prédio e levantar as Escolas ao
nível devido. O auxilio consistirá ou em construir um prédio
grande em terreno doado pela Prefeitura (refere-se a atual Praça
Saraiva), dando em troca nossa propriedade (Avenida Buarque de
Macedo), ou auxiliar-nos a construir um prédio adequado onde estamos
presentemente.
Já na visita do ano seguinte (1934), depois de observar em ata que a
Prefeitura não estava em condições de auxiliar, insistiu em
iniciar quanto antes uma parte do prédio “para que o Liceu seja
algo apresentável”.
No
ano seguinte pode registrar: “Devido ao esforço do Diretor, Padre
José Massimi, a construção do novo edifício, numa extensão de
100 metros por 13, já está com o andar térreo e começando o
primeiro andar”. Na segunda visita que fez em 1936, observa: “Os
trabalhos da nova construção estão passando por um período
difícil, devido a falta de meios para sua continuação, mas se
espera superar as dificuldades”.
As
dificuldades foram superadas graças à abnegação do Padre José
Massimi e ao apoio dos seus irmãos salesianos. Seu plano era a
construção de grandes edifícios capazes de abrigar 600 alunos,
sendo 500 externos e 100 internos. Apelou para todas as fontes onde
pudesse jorrar uma ajuda para a realização de seu projeto.
Em
10 de junho de 1937, enviou uma carta a seus conacionais,
solicitando-lhes que honrassem a colletività italiana
com uma contribuição para
e execução da obra. Convidava a ver os trabalhos para ver as
dimensões da obra e verificar pessoalmente como eram empregadas as
contribuições de corações generosos.
Recorreu às autoridades estaduais e municipais. Em 3 de julho de
1936 escreveu longa carta alicerçada em argumentos sólidos ao
Presidente da República, Doutor Getúlio Vargas, solicitando “um
auxílio não inferior a cem contos de réis”. Já antes em 15 de
março escrevera ao Interventor Federal, General Flores da Cunha
confirmando a exposição que lhe havia feito pessoalmente em Porto
Alegre. Um dos motivos que para ele justificavam a ajuda do Estado
seria que “considerando a existência só do colégio elementar,
além dos cursos profissionais e do internato, desobrigava o Estado
de prover à instrução elementar de numerosos meninos”.
Foi esse ideal obstinadamente perseguido que fez surgir no espaço
antes ocupado pelas velhas construções, um edifício austero e
sólido, globalmente planejado. Nele pôde acomodar de maneira digna
seus alunos – prés A e b, Primeiro e Segundo Graus – em amplas
salas de aula e oferecer-lhes os serviços imprescindíveis a um
estabelecimento de ensino e educação. Alguma restrição que se
pudesse fazer à distribuição dos ambientes foi sendo sanada pela
visão e competência dos sucessores, olhos voltados para o bem dos
alunos.
Fonte: Liceu Salesiano Leão XIII – Rio Grande – RS – 100 anos
(1901-2001).
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