Patrimônio Histórico e Urbânidade em Rio Grande:

A cidade do Rio Grande por sua tradição histórica e por sua importância dentro do cenário ecônomico do Brasil sul meridional sempre foi uma região de confluência de interesses dos mais diversos povos e de tendências políticas ou ecônomicas. no decorrer destes ultimos duzentos e setenta e três anos a cidade se desenvolveu apesar de todas as dificuldades que enfrentou: problemas com imigração, conflito de fronteiras, dificuldades com a natureza, invasões espanholas e crises ecônomicas. superados esses problemas com muito sangue, suor e lágrimas, foi notável o desenvolvimento desta cidade, pois, muito fácil é observar o crescimento que se consubstanciou na forma de nossos prédios históricos e realizações culturais, entre elas podemos citar: a primeira biblioteca do RS, Câmara de Vereadores, industria textil, linha de bondes regular e refinaria de petróleo do país, entre outras.

Fica estabelecido que é na observação e valorização do nosso rico passado e nas nossas construções históricas que estão as soluções para os problemas de nossa cidade. Hoje nas grandes capitais da Europa o turismo histórico é uma realidade, pense nisso e vamos mudar a conjuntura....


domingo, 28 de outubro de 2012

ESCOLAS PROFISSIONAIS SALESIANAS: Rio Grande.

Os Salesianos que partiram para novas terras levaram consigo a inspiração de Dom Bosco, assim foram surgindo as escolas profissionais, visando formar jovens para o mercado de trabalho e cidadania. No Brasil, as duas primeiras casas fundadas ainda por Dom Bosco foram o Colégio Santa Rosa de Niterói e no Liceu Coração de Jesus em São Paulo.
Os salesianos quando de sua chegada em Rio Grande nos idos de 1901 empenharam-se em aqui também fundá-las. Desta forma as escolas profissionais constituíam parte da obra na cidade, justificando seu nome oficial: Liceu Salesiano de Artes e Ofícios Leão XIII. Marcenaria, mecânica, tipografia, encadernação e alfaiataria preparavam cuidadosamente profissionais através dos estágios feitos nas oficinas da escola.
Ao lado do ensino primário e comercial as escolas ocupavam lugar de destaque na programação do trabalho educativo. Em suas oficinas eram aceitos de preferência alunos do Liceu que tivessem terminado sua instrução primaria ou estivessem cursando o quarto ano.
No ano de 1945, por exemplo, 95 alunos freqüentavam o curso profissional, distribuídos nas seguintes seções: tornearia mecânica, ajustagem, carpintaria e artes gráficas. As oficinas de carpintaria estavam bem montadas, e produziam desde móveis até casas inteiras, além do aparelhamento de madeiras. Outra parte era a dos móveis finos com dois ou três operários profissionais que eram ajudados pelos meninos que estavam em formação profissional.  A produção do Liceu era significativa e importante para população da recém criada “Cidade Nova” tendo inclusive recebido prêmios pela excelência da sua qualidade em produção de móveis. Muitos profissionais formados nas oficinas do Liceu viriam a formar o que seria o corpo de funcionários da Viação Férrea da Cidade do Rio Grande.
Razões várias, entre as quais o êxodo das principais indústrias e a fuga de capitais da nossa cidade, fizeram decrescer a perspectiva de uma formação profissional. Diante desta realidade o Liceu criou em 1952 o curso ginasial, mudando sua ênfase no ensino dos escolares riograndinos.

Fonte: Liceu Salesiano Leão XIII: 100 anos (1901-2001).

GRÁFICA SALESIANA EM 1953:


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Solar dos Poock:

Solar que pertenceu ao Comendador Gustavo Poock, proprietário das industrias Pook, atual Câmara de Vereadores da Cidade do Rio Grande, quase cruzamento das ruas General Vitorino com General Neto.

FÁBRICAS ANTIGAS DA CIDADE DO RIO GRANDE:

CHARUTOS POOCK:

Companhia de Charutos Poock. Sucessora de POOCK CIA. Originalmente organizado em sociedade comanditária por ações, a primeira fábrica de charutos Havaneses e Nacionais no gênero fundada no país.
Instalada na Cidade do Rio Grande desde 1891, pelo falecido Comendador Gustavo Poock e depois passando para o controle de seu filho Gustavo Poock Junior. Funcionava em um vasto prédio, especialmente construído para exploração desta indústria, localizava-se na Avenida Buarque de Macedo, onde hoje esta localizada a loja Tumeleiro (fábrica), seus escritórios estavam instalados no cruzamento das ruas Marechal Floriano e Benjamim Constant onde hoje temos o Banco Santander e a residência do Comendador Poock foi construída no local onde hoje funciona a Câmara Municipal do Rio Grande.
Das marcas de charuto destacavam-se as seguintes:

►Comercial.
►Régios.
►Vaidade.
►Ângela.
►Titular.
►Paulista.
►Regente.
►Morens.
►Caçador.
►Fênix.
►Clemência.

Sua produção era superior a sete milhões de charutos. No Rio Grande funcionou também por largos anos a fábrica de charutos e cigarros de Miguel José de Araujo.

Fonte: PIMENTEL, Fortunato. Aspectos Gerais do Município do Rio Grande. Porto Alegre 1944.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A ECONOMIA GAÚCHA DURANTE A REPÚBLICA VELHA: Frigorífico Anselmi

A economia gaúcha teve um grande impulso com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A guerra praticamente acabou com a produção européia e, por isso, os produtos feitos no Rio Grande do Sul foram muito procurados tanto no Brasil como no exterior.
No inicio do século XX, a pecuária gaúcha passava por muitas dificuldades. Vários fatores contribuíram para isso:

►A baixa qualidade e o alto custo da produção, causados pela falta de tecnologia;
►A ausência de frigoríficos para melhor conservar a carne;
►A concorrência dos produtos platinos;
►Os interesses dos grandes fazendeiros do centro do país em manter o preço do charque o mais baixo possível.

Com a Primeira Guerra, a produção de carne na Europa foi praticamente paralisada. Isso fez com que a pecuária gaúcha se expandisse: a produção cresceu e os preços se elevaram. Além disso, como o Uruguai parou de produzir charque, pois quase toda carne uruguaia era mandada aos frigoríficos, o charque gaúcho viu-se livre da concorrência platina.
O Frigorífico Anselmi ficava na Rua Portugal nas proximidades da antiga cadeia pública.

domingo, 30 de setembro de 2012

VOCÊ SABIA?

Os sepultamentos na Cidade do Rio Grande eram realizados em meados do século XIX junto aos templos. O primeiro cemitério da cidade foi erguido junto a Igreja do Bom Fim, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, em 1834, ao sul dos antigos limites urbanos da cidade velha. A limitação em área desse cemitério e as freqüentes epidemias que assolavam a população, como a da cólera registrada em 1855, fizeram com que as autoridades buscassem outra área para construção de um novo cemitério. Este foi deslocado inicialmente para junto às trincheiras e posteriormente para a área em que permanece até os dias de hoje, ou seja, mantendo uma distância suficientemente segura para evitar contaminação da população pelos corpos vitimados pelas doenças contagiosas. Os primeiros sepultamentos ocorreram em 1861 e a partir de 1863 a municipalidade entregou a administração da necrópole para a Santa Casa de Misericórdia, e assim permanece até a atualidade.

As diferenças religiosas e sociais já ficavam registradas no período, pois ao lado do cemitério católico foi erguido o cemitério protestante, cujo primeiro túmulo data de 25 de fevereiro de 1856. Além do mais, os corpos de indigentes, prostitutas, escravos e outros indivíduos excluídos da sociedade eram enterrados numa área próxima aos novos cemitérios, porém fora dos limites destes, denominada cemitério dos proscritos.
O atual monumento ao trabalhador, na praça em frente à Igreja do Bom fim era o local onde até 1855/1856 servia de ambiente para os sepultamentos na Cidade do Rio Grande e quem passa nos dias de hoje pelas cercanias, pelo menos na maioria dos transeuntes não tem idéia de que neste local que tinha sua entrada junto a Rua Andradas, ficavam depositados os mortos da cidade até a dada da transferência para o atual campo santo localizado na Rua 2 de Novembro.
Fonte: MARTINS, Solismar Fraga.Cidade do Rio Grande, Industrialização e Urbanidade (1873-1991). Rio Grande, Editora da Furg. 2006.




MONUMENTO AO TRABALHADOR:

Rua Duque de Caxias esquina com João Alfredo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

RIO GRANDE UMA CIDADE QUE CHORA:

RIO GRANDE....PASSADO E FUTURO:


Rio Grande é uma cidade que atualmente passa por um sem-número de transformações econômicas e sociais, apesar deste desenvolvimento que trará em tese benefícios para a grande maioria de sua população, é necessário e urgente que não esqueçamos nosso passado e nossas raízes......repensar o passado também é planejar e vislumbrar um futuro melhor, assistam ao belo vídeo concebido pelo colega historiador Fernando Milani Marrera e comprovem que valorizando o passado encontraremos as referencias para uma vida futura prospera e cheia de realizações em nossa cidade.

domingo, 23 de setembro de 2012

ANTIGA CADEIA MUNICIPAL:


A inauguração do edifício ocorreu em 18 de janeiro de 1927 para abrigar o antigo Quartel Municipal e a “Cadêa” Civil. Foi construído em estilo neoclássico, situado na rua então denominada Boulevar 14 de Julho. Prédio projetado pelo engenheiro Fernando Duprat da Silva e tendo como construtor o Senhor Afonso Pinto. Em 1997 devido ao péssimo estado de conservação e a superlotação foi desativado.
Após vários anos sem utilização e em processo de deterioração, no ano 2000 prédio é retomado pela Prefeitura Municipal do Rio Grande. O antigo Presídio Municipal passa a abrigar um centro de formação com foco na iniciação ao trabalho.

Fonte: folheto do Centro de Formação Escola Viva.

CENTRO DE FORMAÇÃO ESCOLA VIVA: (Antigo Presídio Municipal).


IGREJA DO BOM FIM: (fachada)





IGREJA DO BOM FIM:



O proprietário dos terrenos onde foi edificada a capela e o cemitério do Bom Fim foi José Luis da Silva que realizou a doação em abril de 1832. Em 1842 doou novo terreno para construção da capela para os serviços funerários. A capela recebeu a benção em 13 de agosto de 1843. Estava situada aos fundos do cemitério, ou seja, na atual Rua Duque de Caxias. O exterior do prédio tinha as mesmas linhas da Igreja de São Francisco, estando sobre a porta uma lápide com a data de 1843. Em 1866 foi legalmente aprovada a criação de Irmandade do Bom Fim possibilitando captar maiores recursos para a construção de uma igreja. Em 9 de dezembro de 1886 foi feita a benção e colocação da pedra fundamental. Em 5 de dezembro de 1887 a imagem do Senhor do Bom Fim foi conduzida em procissão da antiga capela para a nova igreja que já esta completou mais de 120 anos.

Jornal O Peixeiro (21 de outubro de 2008).

domingo, 15 de janeiro de 2012

PORQUE A DIFERENÇA? APENAS PENSEMOS...

Como meu blog é direcionado para questões relativas a cultura na cidade do Rio Grande, não costumo postar assuntos relacionados a outras cidades, mas como o Mercado Municipal de Pelotas se encontra em excelente estado de conservação, provavelmente pelo elevado nível de consciência cultural do povo da vizinha cidade e também pelas atitudes positivas da administração local, me senti como que forçado a traçar um paralelo entre essas duas edificações, primeiro mostrando o que deve ser feito em matéria de preservação (em Pelotas) e, posteriormente o que não deve ser feito (Rio Grande). Sempre ao ver a diferença nas imagens me pergunto se a culpa é dos administradores da coisa pública ou de nós moradores da cidade que não cobramos dos mesmos ações mais contundentes no sentido de recuperar nosso patrimônio histórico edificado. As eleições estão chegando, então apenas pensemos no assunto....pensar é preciso, agir mais ainda!

MERCADO PÚBLICO MUNICIPAL DO RIO GRANDE:

O Prédio edificado em 1863, é uma típica construção lusitana, de arquitetura neoclássica. Ao longo dos anos sofreu várias intervenções, entre outras a construção e demolição de um segundo pavimento, a retirada dos frontões que marcavam os acessos principais, as falsas colunas e cunhais, bem como o fechamento das circulações internas e a colocação de cobertura sobre as abóbodas de tijolo armado. O prédio ocupa um quarteirão inteiro, com área superficial de 3695,97 metros quadrados. Considerado de grande importância visual, ambiental, arquitetônica, social, econômica e de referência urbana, juntamente com a doca, a banca do peixe, Biblioteca Rio-grandense, antigo Quartel General, Prefeitura Municipal, Capela de São Francisco e o prédio da Alfândega, todos em torno da praça Xavier Ferreira, formam um conjunto junto a Lagoa dos Patos, sendo este um dos mais representativos sítios históricos do sul do Estado. Devido as intervenções, a descaracterização do local é facilmente observada, como sua degradação física e funcional.